quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Sobre o sentido da vida


Viktor Frankl, psiquiatra e fundador da logoterapia, na sua obra A presença Ignorada de Deus, nos diz que qualquer situação na vida faz uma exigência a nós, colocando-nos uma pergunta, à qual damos uma resposta através de algo que fazemos, como se fosse um desafio.
Essa afirmação de Frankl revela o cerne de seu pensamento: a busca de sentido. E é sobre esse tema que refletiremos nas próximas linhas.
Para Frankl, o sentido da vida, do amor, da amizade, do sofrimento e da morte, é algo concreto, consiste em uma atitude decidida diante das situações com as quais nos deparamos no cotidiano.
À primeira vista, essa concepção de sentido pode parecer simples, mas não é. O homem tem, diante de si, duas escolhas: viver como se a vida não tivesse sentido ou dizer “assim seja”, fazendo a opção por agir como se a vida tivesse um sentido infinito, para além de sua capacidade de compreensão. É aquilo que Frankl chama de optar por um “supra-sentido”.
Não será a falta de sentido a razão que nos leva a amar menos ou amar de forma neurótica? Não será a falta de sentido a causa da falta de lealdade às nossas amizades, o motivo pelo qual nos desesperamos diante da doença inevitável ou da morte daqueles a quem amamos?
Quase sempre cremos no sentido da vida – ou ao menos afirmamos isso. No entanto, na prática diária, comportamo-nos como “ateus”. Não temos muito que dizer sobre amor, dor, amizade, porque a nossa vida individual parece um amontoado de cenas de um filme que não se viu por completo, e, consequentemente, não faz o menor sentido. E isso se torna mais grave quando se trata dos cristãos. Deveríamos ser os peritos nesses assuntos, visto que a nós foi revelada a plenitude de todo o sentido: Cristo Jesus.
O homem, afinal, diz Frankl, tem a necessidade de projetar algo ou alguém para dentro do nada diante do qual se encontra. Em outras palavras: o homem sente-se chamado a agir concretamente: diante do amor, doar-se; diante da amizade, confiar e dedicar-se; diante do sofrimento, encontrar rotas compensadoras para a sua dor; e, diante da morte, compreender que ali se depara com o sentido final de sua existência, que dependerá da realização de sentido em cada situação particular nesta vida.
Optemos, portanto, em viver como se a vida tivesse um sentido. E aqui terminamos com os caminhos apontados pelo próprio Frankl: pratiquemos ações humanizantes, vivenciemos as situações e as pessoas em plenitude, e, diante de uma situação que não podemos modificar, mudemos nossa atitude diante dela, mudando a nós mesmos, amadurecendo e crescendo para além de nós. Somente assim seremos homens e mulheres da esperança.

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