Por Juan del Carmelo
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Há quatro anos, escrevi um livro de relatos de caráter espiritual intitulado “Os vestígios de Deus”, em que recolhi uma história narrada pelo arcebispo Fulton J. Sheen, que merece a pena recordar. Num dos programas, não sei se de televisão ou rádio, em que interviu Monsenhor Sheen, poucos meses antes de sua morte, o entrevistador lhe perguntou: “Bispo Sheen, o senhor inspirou a milhões de pessoas em todo o mundo. Quem foi ou o que foi que mais o impressionou ao longo de sua vida? Foi, por acaso, o Papa atual ou o anterior? E o bispo lhe respondeu: “Não foi um Papa, nem um Cardeal, ou outro Bispo, e nem sequer foi um sacerdote ou uma monja. Foi uma menina chinesa de onze anos de idade.
Então o bispo contou a seguinte história: quando os comunistas ocuparam toda a China, seu ódio ao catolicismo os levou a encarcerar, quando não a assassinar, todos os religiosos e religiosas, especialmente os que, tendo a nacionalidade chinesa, ali se encontravam. Um destes religiosos contou ao bispo Sheen o que havia se passado em sua igreja. Explicou-lhe que encarceraram a ele em sua própria reitoria, junto à igreja. O sacerdote observou aterrado, desde sua janela, como os comunistas penetraram na igreja e se dirigiram ao sacrário. Cheios de ódio, tomaram a âmbula e a atiraram ao chão, espalhando as Hóstias Consagradas. Como eram tempos de perseguição, o sacerdote havia tomado a precaução de saber exatamente quantas Hóstias continha a âmbula: trinta e duas.
Uma vez cometida a maldade, os comunistas se foram, deixando uma sentinela de guarda para vigiar o padre e não permitir o culto na igreja. Mas não repararam, ou não deram importância, a uma menina de uns onze anos que estava na penumbra, rezando no fundo da igreja.
A menina observou tudo o que havia acontecido e foi para sua casa. Mas, à noite, voltou à igreja, evitando o guarda comunista que mais se preocupava em vigiar a reitoria onde estava recluso o sacerdote, que a igreja, que estava vazia com os destroços que seus companheiros e ele mesmo haviam feito, e o mais importante para nós do que para o guarda: as trinta e duas Hóstias consagradas, derramadas no chão.
Uma vez na igreja, a menina se colocou na parte de trás da mesma, rezando durante uma hora; um ato de amor em reparação ao ódio que haviam demonstrado seus irmãos de raça. Depois de sua hora santa, a menina se aproximou com muito cuidado do presbitério, se ajoelhou e, baixando a cabeça até o chão, com sua língua tomou uma das Sagradas Hóstias, que estavam esparramadas. Tenha-se em conta que naquela época, ainda não estavam vigentes as atuais normas sobre a comunhão: o jejum era rigoroso, não se podia comer nem beber nas doze horas anteriores, e aos leigos não era lícito tocar com suas mãos, não consagradas, as Sagradas Hóstias.
A menina regressou todas as noites seguintes, fazendo primeiro sua hora santa e aproximando-se, depois, do presbitério, para tomar com a língua o Corpo de Nosso Senhor. Na trigésima segunda noite, depois de haver realizado a última comunhão, tropeçou, provocando acidentalmente um ruído que despertou o comunista que estava de guarda. A menina tratou de fugir, mas o comunista correu atrás dela, a agarrou, e a golpeou até matá-la com a culatra de seu rifle. Este ato de martírio heróico foi visto, desde a reitoria, pelo sacerdote que, sumamente abatido, olhava desde a janela do quarto onde estava preso, sem poder fazer nada.
O bispo Sheen declarou ao entrevistador que, quando escutou este relato, ficou tão impressionado, que prometeu ao Senhor que faria uma hora santa de oração defronte a Jesus Sacramentado todos os dias, pelo resto de sua vida.
Se aquela pequena menina chinesa havia sido capaz e podido dar testemunho, com sua vida, da presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento, então o bispo se via obrigado a fazer o mesmo. Seu único desejo desde então seria atrair o mundo ao Coração Ardente de Jesus no Santíssimo Sacramento.
Esta é uma história bonita cujo final não nos agrada tanto. Não nos agrada que, no final, o soldado comunista terminasse matando a menina, esmagando sua cabeça a golpes de fuzil. E a razão última de nosso desgosto está em que nós somos de corpo e alma, matéria e espírito: a preponderância que geralmente tem em todos nós o corpo sobre o espírito nos pede um final mais ditoso, mais alegre, mais ao estilo de “Hollywood”, não com a tristeza da morte da protagonista, esta desconhecida menina chinesa.
O que acontece é que, por causa deste apego que temos às coisas deste mundo, valorizamos mais o continuar nele, a qualquer preço, do que a glória que esta menina adquiriu com seu martírio. Nossa corporeidade humana nos cega, e não nos damos conta que precisamente a parte mais bela da história é o seu final, é a dádiva da palma do martírio, que Deus doou à alma desta menina chinesa, a qual é uma privilegiada, uma eleita do Senhor.
Publicado em http://congregacionobispoaloishudal.blogspot.com/.
Então o bispo contou a seguinte história: quando os comunistas ocuparam toda a China, seu ódio ao catolicismo os levou a encarcerar, quando não a assassinar, todos os religiosos e religiosas, especialmente os que, tendo a nacionalidade chinesa, ali se encontravam. Um destes religiosos contou ao bispo Sheen o que havia se passado em sua igreja. Explicou-lhe que encarceraram a ele em sua própria reitoria, junto à igreja. O sacerdote observou aterrado, desde sua janela, como os comunistas penetraram na igreja e se dirigiram ao sacrário. Cheios de ódio, tomaram a âmbula e a atiraram ao chão, espalhando as Hóstias Consagradas. Como eram tempos de perseguição, o sacerdote havia tomado a precaução de saber exatamente quantas Hóstias continha a âmbula: trinta e duas.
Uma vez cometida a maldade, os comunistas se foram, deixando uma sentinela de guarda para vigiar o padre e não permitir o culto na igreja. Mas não repararam, ou não deram importância, a uma menina de uns onze anos que estava na penumbra, rezando no fundo da igreja.
A menina observou tudo o que havia acontecido e foi para sua casa. Mas, à noite, voltou à igreja, evitando o guarda comunista que mais se preocupava em vigiar a reitoria onde estava recluso o sacerdote, que a igreja, que estava vazia com os destroços que seus companheiros e ele mesmo haviam feito, e o mais importante para nós do que para o guarda: as trinta e duas Hóstias consagradas, derramadas no chão.
Uma vez na igreja, a menina se colocou na parte de trás da mesma, rezando durante uma hora; um ato de amor em reparação ao ódio que haviam demonstrado seus irmãos de raça. Depois de sua hora santa, a menina se aproximou com muito cuidado do presbitério, se ajoelhou e, baixando a cabeça até o chão, com sua língua tomou uma das Sagradas Hóstias, que estavam esparramadas. Tenha-se em conta que naquela época, ainda não estavam vigentes as atuais normas sobre a comunhão: o jejum era rigoroso, não se podia comer nem beber nas doze horas anteriores, e aos leigos não era lícito tocar com suas mãos, não consagradas, as Sagradas Hóstias.
A menina regressou todas as noites seguintes, fazendo primeiro sua hora santa e aproximando-se, depois, do presbitério, para tomar com a língua o Corpo de Nosso Senhor. Na trigésima segunda noite, depois de haver realizado a última comunhão, tropeçou, provocando acidentalmente um ruído que despertou o comunista que estava de guarda. A menina tratou de fugir, mas o comunista correu atrás dela, a agarrou, e a golpeou até matá-la com a culatra de seu rifle. Este ato de martírio heróico foi visto, desde a reitoria, pelo sacerdote que, sumamente abatido, olhava desde a janela do quarto onde estava preso, sem poder fazer nada.
O bispo Sheen declarou ao entrevistador que, quando escutou este relato, ficou tão impressionado, que prometeu ao Senhor que faria uma hora santa de oração defronte a Jesus Sacramentado todos os dias, pelo resto de sua vida.
Se aquela pequena menina chinesa havia sido capaz e podido dar testemunho, com sua vida, da presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento, então o bispo se via obrigado a fazer o mesmo. Seu único desejo desde então seria atrair o mundo ao Coração Ardente de Jesus no Santíssimo Sacramento.
Esta é uma história bonita cujo final não nos agrada tanto. Não nos agrada que, no final, o soldado comunista terminasse matando a menina, esmagando sua cabeça a golpes de fuzil. E a razão última de nosso desgosto está em que nós somos de corpo e alma, matéria e espírito: a preponderância que geralmente tem em todos nós o corpo sobre o espírito nos pede um final mais ditoso, mais alegre, mais ao estilo de “Hollywood”, não com a tristeza da morte da protagonista, esta desconhecida menina chinesa.
O que acontece é que, por causa deste apego que temos às coisas deste mundo, valorizamos mais o continuar nele, a qualquer preço, do que a glória que esta menina adquiriu com seu martírio. Nossa corporeidade humana nos cega, e não nos damos conta que precisamente a parte mais bela da história é o seu final, é a dádiva da palma do martírio, que Deus doou à alma desta menina chinesa, a qual é uma privilegiada, uma eleita do Senhor.
Publicado em http://congregacionobispoaloishudal.blogspot.com/.

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