sábado, 13 de junho de 2009

O Tesouro dos Livros

Do Livro Felicidade, onde Moras?,
do Padre Roque Schneider, SJ.

A frase é de Lacordaire: “Três elementos reunidos são capazes de fazer feliz uma pessoa: Deus, um amigo, um livro”.
Livro... o mundo anda cheio de livros publicados... e pouco lidos. Já disse alguém que a maior tragédia dos homens é passarem eles tão perto da felicidade, sem abraçá-la...
Um bom livro é um tesouro, fonte de manancial inesgotável. Sinaleira vigilante que avisa. Posto de abastecimento. Mesmo empoeirado, esquecido na instante, é um amigo fiel, sempre disponível. Um morto que nos pode ressuscitar, traçando rumos, corrigindo distorções, injetando coragem.
Ler é abrir, com mãos leves e coração generoso, portas que outros já entreabriram para nossa utilidade. O renomado matemático Einstein, agradecendo o que encontrara na obra de Newton, falou: “Eu vi tão longe, porque subi nos ombros de um gigante”.
O ritmo acelerado do mundo moderno vai matando um pouco, em cada um de nós, a disponibilidade para uma leitura repousada, tonificante. Rui Barbosa varava madrugadas, lendo. A paixão da leitura o empolgava. Para espantar o sono, colocava os pés numa bacia de água fria.
Os Rui Barbosa são cada vez mais raros. Muitos, embora conservando intacto o amor à leitura, já não lêem, ou lêem pouco. As tarefas demasiadas dispersaram. Os compromissos sociais solicitam. O telefone não cansa de chamar.
Outros não lêem por falta de paciência para se debruçarem sobre as páginas de uma revista ou jornais. Os ônibus superlotados, desumanos, já não colaboram para corrermos os olhos pelo livro que levamos na bagagem. Os comodistas não têm motivação, desconhecem o amor à leitura. Ler exige, pede esforço. Ver um programa de TV é mais confortável. Vem prontinho, bem iluminado. Podemos bebê-lo, refestelados na poltrona, bebericando uísque. O egoísta desdenha obras alheias. Tristão de Ataíde lembra com acerto: “Quem olha demais para si mesmo não tem tempo nem gosto por leituras. Contenta-se consigo mesmo. Converte-se no centro do mundo”.
A gente acaba sempre, mais cedo ou mais tarde, convertendo-se no que pensa, no que escreve, no que vê, no que ouve, no que lê. Há livros-veneno. Outros, devolvem-nos a contagiante alegria de viver. Uns entram-nos pelos olhos e descem direto ao coração, suaves como a brisa. E há os que nos sacodem até os alicerces, levando-nos aos pés de quem disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. A história de tantas conversões o prova fartamente.
“Se nos tirassem os livros – afirmou M. de Ornelas – pediríamos uma sentença de morte. Que tristeza seria envelhecer sem livros”. Quem já não lê está envelhecendo. Porque o amor à leitura é sinal de juventude de espírito.

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