Celebramos hoje a solenidade de Maria sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil. Fruto de uma saudável devoção popular, o culto à Virgem Aparecida é fonte de incontáveis graças para o povo brasileiro e oferece a eles a oportunidade de aproximar-se mais de Jesus, o Filho Bendito da Bendita Virgem Maria. De fato, conforme diz o Concílio Vaticano II na Constituição Lumen Gentium, “a função maternal de Maria, em relação aos homens, de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes, manifesta a sua eficácia. E de nenhum modo impede o contato imediato dos fiéis com Cristo, antes o favorece”. Eis aqui: ao contrário do que muita gente pensa, Maria não é obstáculo para se chegar a Deus. Ela é, antes, caminho seguro para seu Filho Jesus. É isto que a primeira leitura e o Evangelho da Solene Liturgia nos mostram: na leitura do Livro de Ester, vemos como esta é capaz de arriscar sua vida aproximando-se do rei sem ser convidada – o que poderia acarretar sua morte – consegue do rei o favor por sua beleza e encanto: a sua própria vida e a vida de seu povo. Como não enxergar Ester como uma figura de Maria no seio da Igreja? Ela é a filha de Sião, que se aproxima do Rei em vestes vistosas, as vestes da virtude e da santidade, de modo que o Rei se encanta com sua beleza – beleza que Ele mesmo fez, e nela se compraz. O Evangelho também mostra esta realidade, de um modo muito mais explícito: Maria é aquela que intercede pelos participantes da festa de núpcias, de modo que a alegria simbolizada pelo vinho não falte. Da mesma forma, no banquete das núpcias eternas entre Deus e sua Igreja, que já se iniciou com a Redenção de Cristo, e do qual Maria já participa, ela intercede a seu Filho para que não venha a faltar a alegria espiritual, o vinho novo do Espírito Santo. E da mesma forma como o Senhor transformou a água em vinho em abundância (seis talhas com cem litros de água cada, transformadas em vinho – seiscentos litros de vinho!), ele transforma a nossa tristeza, a nossa fraqueza, o nosso pecado, em alegria, em força, em santidade, pelo vinho espiritual do Seu Espírito.Há ainda uma coisa importante, que é sempre oportuno lembrar a respeito de Maria, e que os católicos podem ter a tentação de atenuar em nome de um ecumenismo torto: no seio da Igreja, no Cristianismo puro e simples, o cristão não pode prescindir da veneração e do amor filial para com Maria. Ela não é opcional na vida do cristão: um autêntico discípulo do Senhor não pode escolher se aceita ou não a maternidade espiritual de Maria para com ele. Ela é obrigatória para todos os discípulos autênticos do Senhor. Ele não nos deixou-a como Mãe na cruz? Ele disse ao discípulo amado: “Eis tua mãe!” (Jo 19,27). Nós cristãos, discípulos amados e amantes do Senhor, devemos obedecer o seu último pedido antes de morrer por nós: “A partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19,27). Convido você, caro leitor, a obedecer na fé a ordem do Senhor e, nesse santo dia, levar também Maria para sua casa, para a casa do seu coração, e dirigir-lhe todo o amor que uma mãe merece e mais ainda, porque dela nos veio o Salvador do mundo, o Cristo Nosso Deus.
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