sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Música sacra, oração e liturgia


Tal como na natureza da Liturgia, na construção de igrejas e nas imagens, também na lírica eclesial se revela a mesma relação entre continuidade e inovação: o saltério tornar-se-á naturalmente o breviário da Igreja, da sua oração e do seu cantar. O saltério reza-se agora juntamente com Cristo. (...) nos Salmos falamos ao Pai através de Cristo no Espírito Santo. Contudo, esta interpretação pneumatológica e cristológica dos Salmos não se refere apenas ao texto, envolvendo também o elemento musical: é o Espírito Santo que ensina primeiro Davi a cantar e depois, através de Davi, também Israel e a Igreja; o canto é, excedendo a fala vulgar, um acontecimento pneumático em si. A Música sacra nasce como “Carisma”, como um dom do Espírito: no fundo, ela é a “glossolalia”, a “língua” nova, proveniente do Espírito.

Joseph Ratzinger, Introdução ao Espírito da Liturgia, São Paulo, p. 103-104.

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